sexta-feira, 29 de agosto de 2008

De volta para o Passado!


**E antes que agosto acabasse, eis que surge um novo post.
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ATENÇÃO!: Esse post se divide excepcionalmente em 2 partes. Leia agora a parte 01 e, se tiver paciência a parte 02 logo acima. Boa sorte!

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Eu estava na casa de uma grande amiga quando, depois de bebermos um pouco, ela disse que tinha uma surpresa para mim. Foi ao quarto, pegou o banquinho, subiu e do guarda roupa puxou um álbum de fotos antigo que estava embaixo dos outros.
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Ela tira a poeira da capa, abre e procura por alguma coisa, em cada uma das páginas emplastificadas. Um sorriso mostra que ela encontrou o que procurava. Ela vira o álbum na minha direção e diz: “Eu achei essas fotos alguns dias atrás. Achei que você devia ver”.
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Nas fotos, pessoas estranhas sorriam e se divertiam em um ritual que remetia a algum tipo de celebração tribal. Uma festa talvez? As fotos parecem reais. Antigas, desbotadas e mal batidas. Não eram digitais. Viro a página e encontro cerca de doze fotos. Na maior parte delas havia uma pessoa em comum que eu sabia que conhecia, mas não via fazia algum tempo. Alguém com quem eu convivi. Eu olhava fixamente e tentava descobrir quem era. Estava diferente. As roupas, os cabelos, a magreza. Eu não reconhecia.
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Viro a página do álbum e antes que eu pudesse perguntar para minha amiga quem era aquela pessoa, uma foto em especial reaviva minha memória. De repente, sou tomado por um súbito mal estar. Minha boca seca. Minhas mãos suam. Meu cérebro entra em um tipo de curto circuito porque eu não consigo emitir nenhum som enquanto estudava a foto.
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Se fosse um registro de uma autópsia alienígena eu não ficaria tão surpreso. Mas não era. Eu tremi. Aquela pessoa, naquele álbum. Meu deus... AQUELE SOU EU! Essa é a minha versão dos anos 80!!
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Sim, era verdade. Lá estava eu sorrindo naquela foto embaçada. Até parecia feliz. Era horrível demais pra ser verdade. Tênis branco por fora da calça (estilo basquete), camisa gola Rolê, blazer com motivo escocês, ombreiras e a famigerada calça bag. É sério, você não se lembra da calça bag?? Pelamordedeus, era aquela calça que o coz da calça ficava no meio do seu torax. Se o coz estivesse muito apertado, você teria problemas respiratórios (ou de digestão).
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Mas como era possível eu não me lembrar? Eu nasci em 1970 então 1978, 1979... 1990.. 1990? Espere, tem algo errado aqui. Falta alguma coisa... Talvez meu cérebro tenha apagado aquilo para minha própria proteção e... De repente, um som agudo ecoa em meus ouvidos. Ensurdecedor. O copo que eu segurava se espatifa no chão em câmera lenta. Eu caio sobre meus joelhos. Minha mente é invadida pelo som de “A view to a kill” do Duran Duran, enquanto milhões de imagens são exibidas simultaneamente. Meu primeiro CD, Ghostbusters, a queda do muro de Berlim, Exterminador do futuro, walkmans, VHS, ATARI, We are the World, De volta para o futuro, Rock in Rio, Thriler, Caverna do Dragão, Chernobyl, guerra das Malvinas, Ronald Reagan (A Guerra fria), Fernando Collor de Mello. RAMBO, RPM, MENUDOS!! MENUDOS Não! NãO! NÃÃOOOOOOO!!
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Foi só então que eu me dei conta... EU REALMENTE VIVI OS ANOS 80??!!
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Minha mente volta para aquele fatídico período e eu me lembro...
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Era um dia quente e seco em Brasília. Um sábado como tantos outros na cidade. Redemoinhos de poeira eram comuns nessa época do ano, dada as grandes áreas de terra batida e muitas áreas em construção. Aguardávamos o ônibus que nos levaria para a Matinê da boate mais badalada da cidade, a discoteca Zoom (não tínhamos idade para nada além disso).
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Estavamos ansiosos por ouvir as musicas do momento. Hits como “Geração Coca-cola” (de uma banda nova de Brasília chamada Legião Urbana ou algo assim) e “Love Bizarre triangle”, do New order ale´m de outros sucessos das Fms como A-Ha, Information society, the cure, the smiths, Blitz.
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Lembro ainda que na boate havia aquele momento “Kedançanão”, em que o Dj parava os ritmos dançantes e colocava musicas lentas, e você se levantava, se aproximava de uma das meninas coladas na parede do outro lado da boate e perguntava “Quer dançar?” , “não!”, ela respondia sem ao menos pensar.. Que saudade!.
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De qualquer forma, lá estávamos nós na ponto de ônibus. O plano era simples. Seguiríamos de ônibus até uma determinada quadra do plano piloto. De lá, pegaríamos um taxi que nos deixaria em frente a boate, cerca de 3km de distância do ponto em que descemos. Enquanto os outros meninos chegavam com os pais, nos chegaríamos de taxi em grande estilo. Independentes, poderosos e... quebrados (depois do taxi, não teríamos dinheiro para mais que um refrigerante).
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No horário marcado, liguei para a casa do meu vizinho (evidentemente, celulares eram um conceito que só existiam em filmes de ficção) e decidimos nos encontrar no ponto do ônibus.
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Eu cheguei primeiro e estava distraído quando sinto a mão tocar em meu ombro. Quando eu me viro, reconheço o meu amigo mas, para minha surpresa e descubro que ele estava fantasiado de meu irmão gêmeo, ainda que eu não o tivesse. Eu explico. O meu amigo, apesar das óbvias diferenças físicas (eu moreno e ele louro), parecíamos uma versão mais bizarra ainda dos personagens do filme, “irmão gêmeos” (filme com Arnold Schwarzenegger e Danny DeVitto, um grande sucesso dos anos 80).
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Estávamos vestidos exatamente iguais o que, de fato, não era tão difícil naquela época. É que a moda era, como posso dizer, limitada. Pelo menos para os homens. Camisetas, Carteiras e mochilas, por exemplo, variavam somente entre marcas. K&K, Company, Cantão ou Redley para os riquinhos e Sun Coast ou Pier, para os pobrinhos. Sapatos eram Doc Sides AZUL (pode?) ou aquele tênis Redley (que sempre furava no dedo). As calças podiam variar entre o Jeans (BAG ou Semi Bag) ou a calça modelo Carpinteiro (que era um protótipo da calça Cargo de hoje em dia).
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E assim estávamos os dois. Ridiculamente vestidos não só com as mesmas roupas, mas as mesmas cores, variando somente as marcas.
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Discutimos, sobre quem deveria voltar para trocar de roupa. Os dois irredutíveis afinal, eram roupas novas compradas exclusivamente para o evento em questão. De qualquer forma, no horizonte, já surgia o ônibus:
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– Eu vou assim!
– Eu também.
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Desta forma, subiram nossos dois corajosos heróis no trepidante e barulhento ônibus, rumo ao encontro dos seus destinos...
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(A tela escurece e na tela negra surge o aviso em fontes brancas – “Continua...”)

2 comentários:

ÍTALA disse...

Gostei bastante do Texto. Sou estudante finalista de publicidade, estou fazendo O meu TCC sobre uma hamburgueria temática dos anos 80. Essas informaçoes do artigo vao servir de inspiração para o meu trabalho. Parabéns pelo Blog! Outro dia venho aqui de novo :)

Ikarow Wax Wings disse...

wow Ítala, nossa, obrigado! Me sinto honrado pela sua visita e seu comentário. Mas tudo que fiz foi relatar minha impressão daquela época. Não sei dizer o quanto disse pode ser considerado um retrato dos anos 80. O universo em que eu vivia era bem particular em Brasília. Auge do rock nacional. MAs se o texto servir de inspiração para vc, vai ser muito mais do que eu esperava... Volte sempre e continue comentando... Bjs!!